Paris com mala: o que aprendi carregando bagagem da estação de trem ao metrô
Dicas de Viagem

Paris com mala: o que aprendi carregando bagagem da estação de trem ao metrô

Giovana Stanganelli 7 min

Cheguei a Paris de trem, na Gare d'Austerlitz, com uma mala grande, uma mala de bordo, uma mochila e a minha gata na bolsa de transporte. Vinha de Orléans e o destino era Buzenval, no 20º arrondissement (o 20ème). Eu achava que o difícil era a viagem. O difícil foi o que veio depois: da estação de trem até a plataforma do metrô, era escada. Na hora de sair, de novo escada, e nem sempre havia escada rolante.

Morei 14 meses em Paris. Este post é o que eu gostaria de ter lido antes daquele primeiro dia, e vale tanto para quem vai passar uma semana quanto para quem vai se mudar.

O metrô de Paris nem sempre tem escada rolante

Quem imagina o metrô de uma capital europeia pensa em plataforma sempre acessível. Na prática, em várias estações que usei, o caminho entre a rua e a plataforma era feito de escada, com lances longos. Com uma mala na mão, cada degrau conta.

Entrada de metrô em Paris, estação Concorde, com escada de pedra e corrimão

Entrada de metrô na estação Concorde: escada de pedra e corrimão, sem escada rolante à vista.

Isso muda com a estação, com a linha e até com a obra do momento. Por isso, o que eu aprendi foi trocar a pergunta "qual o caminho mais rápido?" por "qual o caminho com menos escada?".

Montmartre é lindo e tem muita escada

Se você pensa em se hospedar em Montmartre, um dos bairros mais cheios de escada de Paris, vale uma atenção extra. A vista compensa, mas o trajeto da estação de metrô até a porta do hotel pode ser uma sequência de degraus. Antes de reservar, olhe o caminho no mapa e confira se dá para chegar de outro jeito.

Rua de Montmartre, em Paris, com escadaria entre prédios de pedra

Montmartre: a escadaria é parte da paisagem, e também do trajeto de quem chega com mala.

Como eu planejaria a chegada hoje

Tive sorte: uma amiga me ajudou a carregar tudo. Sozinha, com duas malas, a mochila e uma gata, teria sido bem mais difícil. Pensando nisso, estas são as coisas que eu faria antes de chegar:

  • Olhar o trajeto da Gare até a porta: estação de trem, plataforma do metrô, estação de saída e o último trecho a pé.
  • Consultar a página oficial de acessibilidade da Île-de-France Mobilités, a autoridade de transporte da região. Nela, dá para montar um itinerário acessível, verificar se os elevadores das estações estão funcionando e baixar mapas em PDF. Confira perto da data da viagem, porque obras e manutenção mudam o caminho.
  • Procurar outra entrada: uma mesma estação pode ter várias entradas, e uma pode ter elevador ou escada rolante enquanto a outra só tem escada. Vale olhar ao redor antes de descer.
  • Andar um pouco mais até uma estação maior: em algumas regiões de Paris, principalmente no centro, como em Châtelet, há muitas estações e linhas concentradas. Às vezes compensa caminhar um pouco para chegar a uma estação com mais linhas, que pode ter um acesso mais fácil. A linha 14, por exemplo, é a que a RATP aponta como acessível de forma autônoma.
  • Combinar com alguém para te encontrar, se possível. Foi o que fez diferença no meu primeiro dia.
  • Deixar uma mão livre: mochila nas costas e o que for mais frágil junto do corpo.
  • Usar um carro de aplicativo ou táxi no primeiro trecho, ou até a porta do hotel, se o orçamento permitir. Os valores são mais altos do que no Brasil, mas, pela comodidade e pelo volume de malas, pode valer a pena.

Depois da chegada: uma baguette para se sentir parisiense

Chegou, deixou as malas, respirou. O melhor jeito de sentir que você chegou de verdade é um lanche simples: uma baguette fresca de uma boulangerie, ainda morna, com manteiga e queijo ou presunto, comida na calçada ou num banco da rua.

Sempre escolha a baguette de tradition. A baguette de tradition (a baguette tradicional francesa) é um pão regulamentado por lei na França desde 1993: só pode levar farinha de trigo, água, sal e fermento, sem aditivos, e não pode ser congelada em nenhuma etapa. Tem casca mais fina e crocante, miolo cheio de alvéolos (aqueles buracos grandes) e sabor mais marcado de trigo. Para mim, é a melhor.

Todo ano a Prefeitura de Paris promove o Grand Prix da Baguette de Tradition Française, e as boulangeries vencedoras ganham o selo de "melhor baguette de Paris". Além do prêmio de 4.000 euros, o título dá ao vencedor a possibilidade de abastecer o Palácio do Eliseu, a residência oficial do presidente da França, durante um ano. Algumas das premiadas, com o endereço que consta nos anúncios da prefeitura e da imprensa:

  • Fournil Didot (vencedora de 2026), 103 rue Didot, no 14º.
  • La Parisienne (vencedora de 2025), 12 rue du Faubourg-Poissonnière, no 10º.
  • Boulangerie Utopie (vencedora de 2024), 20 rue Jean-Pierre-Timbaud, no 11º.
  • Au Levain des Pyrénées (vencedora de 2023), 44 rue des Pyrénées, no 20º, o meu arrondissement. Tive o privilégio de ter uma padaria premiada perto de casa e, sempre que podia, comprava uma baguette lá!

Fachada da boulangerie Au Levain des Pyrénées, no número 44 da rue des Pyrénées, no 20º arrondissement de Paris, com o selo do prêmio nas vitrines

Au Levain des Pyrénées, no número 44 da rue des Pyrénées, no 20º. O selo do prêmio aparece nas vitrines: é um jeito fácil de reconhecer uma boulangerie premiada.

A mala que eu levaria para Paris

Em escada, mala de rodinha vira mala de carregar. Por isso, para uma cidade como Paris, o que eu olharia ao escolher:

  • Peso da mala vazia: você vai levantá-la inteira, degrau por degrau. Quanto mais leve ela é vazia, mais sobra de peso para o que você quer levar. As de polipropileno são as mais leves entre as rígidas.
  • Um tamanho que você consegue levantar sozinha: a mala maior cabe mais, mas é a que cansa mais o braço. Se o roteiro tem escada, pense em levar menos e em mais de uma mala menor.
  • Uma boa alça: é por ela que você vai levantar a mala. Teste antes de comprar.

E, sim, a Vistavie tem uma linha chamada Paris. Ela é de polipropileno, e é a linha que eu escolheria para quem está começando a viajar.

Preços consultados em 08/10/2026.

Para ver todas as opções, veja as malas de viagem Vistavie e as malas de bordo.

Perguntas frequentes sobre Paris com mala

O metrô de Paris tem muita escada?
Nas estações que eu usei, sim. O caminho entre a rua ou a estação de trem e a plataforma tinha longos trechos de escada, e na saída nem sempre havia escada rolante. Varia por estação, então vale conferir o trajeto antes de sair.
Dá para andar de metrô em Paris com mala grande?
Dá, mas com planejamento. Veja o caminho com antecedência, prefira estações com elevador quando a mala estiver pesada e, se puder, combine com alguém para ajudar no primeiro dia.
Uma estação de metrô em Paris tem mais de uma entrada?
Sim, muitas têm várias entradas, e nem todas oferecem o mesmo acesso: uma pode ter elevador ou escada rolante e outra só escada. Procure ao redor da estação antes de descer.
Qual bairro de Paris tem mais escada?
Montmartre é um dos que mais têm. Se for se hospedar lá com mala, olhe o caminho do metrô até a porta antes de reservar.
Que mala levar para Paris?
Uma mala leve vazia, de um tamanho que você consiga levantar sozinha e com uma alça firme. Se o roteiro tem escada, duas malas menores costumam ser mais fáceis de carregar do que uma muito grande.

Em resumo

Paris é feita para andar, e quem chega com mala sente isso logo na primeira escada. Olhe o trajeto antes, consulte as estações com elevador e escolha uma mala leve e do tamanho certo para o seu braço. O resto é curtir o caminho.

◉

Bon voyage!

Uma mala leve ajuda a chegar com mais tranquilidade, em Paris ou em qualquer lugar.

Ver malas de viagem Vistavie → · Encontre uma loja →


Leia também: Qual tamanho de mala levar?, Como organizar a mala: o checklist completo e Polipropileno, policarbonato ou ABS.

Giovana Stanganelli
Giovana Stanganelli

Giovana já morou fora do Brasil e percorreu mais de 30 países em cinco continentes. Viaja com a cabeça aberta e sabe o que é errar — mala, rota, conexão perdida. Escreve aqui sobre o que aprendeu no caminho e o que realmente valeu a pena carregar.

Continue lendo

Mais histórias de Destinos.

De roteiros curtos no Brasil a guias semana-a-semana pela Europa — tudo que a gente escreveu sobre estar lá.